sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Ser bom, deve ser mau de vez em quando...

Parte II
Portanto tinhamos ficado na parte, em que se tornava dificil manter as acções humanas em duas categorias opostas e mutuamente exclusivas. Voltarei a este tema certamente, mas hoje apetece-me adientar-me. Neste dia que não existe, apetece-me dar um salto em frente, pois as passagens de ano também servem para isso. Feliz Samhain.
Como pode este pensamento ser possivel? Desde pititis que nos ensinam que o bem, é bom. Como se fosse tão simples como isto. É esta simplicidade que nos confunde, é uma impossibilidade tão grande, que ninguém acreditaria que poderia ser menos verdade.
Pegando em alguns exemplos: Alemanha Nazi; Tribunal do Santo Oficio; Guerra no Iraque; Colonialismo em África; Guerra às Drogas. Que têm em comum? Para muitos a Guerra às Drogas é um estranho 
desta lista, pois promove o bem, enquanto que os outros acontecimentos foram algo de terrível na história da humanidade. Haverá ainda defensores da Inquisição, Nazismo, Colonialismo e Imperialismo. Alguém já parou para pensar no que vai na tola desta malta?
Imediatamente será o grito de que gostam de praticar o mal, são terríveis, assassinos, loucos, etc.
Eu disse parar para pensar! As pessoas que mataram e matam gente indiscriminadamente têm sempre algo em comum. Estão a praticar uma boa acção. Quer seja livrar o mundo da raça mais odiada, eliminar os infieís, matar os terroristas, salvar os selvagens deles próprios, ou acabar com
os traficantes. Poderá haver algo mais digno, mais bondoso do que querer um mundo melhor? Provavelmente ainda lá não chegaram... Imaginem que têm uma visão de um mundo perfeito,
sem dor, sem mágoa, sem tristeza, sem medo. Não quereriam partilhar isso com toda a gente? E se alguém vos impedisse? Quando estivessem quase lá a chegar. Claro que não lhe fariam mal, óbvio.
Mas quem é esta gente? É gente que não quer amor, carinho, conforto, paz no mundo, o fim da fome. Esta gente logicamente quererá medo, mágoa, guerra, tristeza, fome. Porquê? Então tinha-se encontrado a solução para todos estes problemas. Cientistas, religiosos, o mundo tinha-se prostado aos pés desta nova teoria! Que gente é esta? Querem que coisas más continuem no mundo, que o mal perdure, que morram crianças de fome, que existam velh@s a sofrer, que as pessoas tenham medo de sair à rua à noite. São criminosos (diz a lei), doentes mentais (diz a psicologia), são não iluminados (dirão as religiões). Lentamente, começamos a perceber que esta gente está aqui a mais. Temos que educál@s, prendel@s, convertel@s.
Porque querão estas pessoas que o mal continue no mundo? Porque são más! É a única hipótese, demos-lhes todas as hipóteses, tentámos curar, punir, ajudar... E não dá! São a própria causa do mal no mundo! E no bem, não há espaço para o mal!?
Para quem resiste à ideia ainda, pense um pouco se a nossa sociedade não tem os seus monstros. Terroristas, emigrantes ilegais, drogad@s, paneleiros, alcoólic@s, violentador@s, má(u)s condutores (que matam dezenas, centenas de pessoas nas estradas) e o pior terror de todos a pedofilia.
Vamos com calma quando assumimos que sabemos o que é o bem e o mal. O Bem, não existe, seria algo confortante senão fosse tão ridiculo.

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