Estamos na altura do debate sobre o casamento entre pessoas do mesmo género. PEV e Bloco de Esquerda apresentam as suas propostas. PSD e CDS/PP têm a resposta esperada. PS assume uma postura de não, por razões ainda mais parvas do que as habituais.
Fiquei elucidado quando José Sócrates declarou em plena Assembleia da Républica que o PS não anda a reboque de ninguém. Que merda de argumento é este? Se alguém apresentar uma lei contra a violência doméstica (como já aconteceu com as propostas do Bloco e PCP, se não estou em erro) o PS vota contra, porque a ideia não é deles? Se alguém apresenta a ideia antes, parabéns para quem apresenta, agora desculpas esfarrapas de criancinha mimada, por favor poupem-me.
É como a velha do PSD de que nunca é o momento próprio. Direitos Humanos não têm momentos próprios! Ou se defendem, ou nem por isso!
E já agora a ideia do PEV de não aceitar futura adopção, não me agrada minimamente. Continua-se a considerar que uma parte das pessoas, eleitore(a)s, cidadã(o)s, contribuintes, não podem ter os
mesmos direitos que o resto da malta. Continua-se a querer casamentos desiguais.
domingo, 28 de setembro de 2008
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Divórcio da realidade
Vemos cada vez mais arautos da desgraça a anunciar o fim da humanidade e do mundo por o número de divórcios estar a aumentar na sociedade ocidental. Esta desgraça aparenta vir acompanhada de outras igualmente gravosas ou bem mais malévolas. Fala-se no fim dos valores, da familía, enfim a extinção da espécie humana. De facto, como poderia o planeta sobreviver-nos? Aliás o planeta nem existia à mais de 4 mil milhões de anos antes do aparecimento do macaco sem pelo.
Onde se vê alarme, catástrofe, miséria e o fim dos tempos protagonizado por zombies edunistas. Eu tendo a ser do contra. Não só não vejo desgraça, como vejo esperança. Vejo esperança por ver as pessoas a procurarem ser felizes, por as ver a fazer algo por si, por as ver a decidir que o seu amor é seu, e só é partilhado quando lhes apetecer. Vejo as emoções serem postas à frente de regras e normas, tabus e parvoíce.
Adoro o discurso do no meu tempo é que era. (Sim já tenho idade suficiente para o ter proferido, espero ser apenas um sinal esporádico de senilidade precoce :), algo como uma ligeira diarreia mental que passa no próprio dia.) Como podemos comparar a situação actual, com uma altura em que o divórcio era ilegal? As pessoas não iam presas por isso, mas não era simplesmente possivel. Logo só alguém com um desarranjo mesmo muito profundo pode tentar comparar uma coisa com a outra. É o mesmo que querer fazer um paralelo entre alguém saltar dum 10º andar e voos até Marte.
As pessoas separam-se por serem ignoradas, desprezadas, tratadas mal (muito diferente de abusos e violências, não me parece justificavel estar com argumentos extremos desnecessários), verem-se negadas (a ideia de sentirem que as suas vontades, desejos e anseios são relegadas para segundo plano, de uma forma concistente). De facto o casamento pode parecer uma coisa não tão interessante se vista deste prisma. Temos duas pessoas (infelizmente só a monogamia hetero é vista como casório) com vontades, pensamentos, ideologias, modo de vida e sentimentos diferentes. Imaginem que querem ir dar uma volta no parque mais próximo e a vossa cara metade não quer. Chato? Se calhar nem por isso, arranjam outro plano. No dia a seguir acontece o mesmo... Na semana seguinte e na outra. Se calhar já começa a importar... Se calhar já dá direito à discussão. Não que o jardim tenha algo de especial, apenas vos apetece apanhar ar, ver árvores, sentir a relva, ver cães aos pulos. Imaginem que até ganham. Agora isto repete-se. Por eventualmente serem fãs do ar livre e das árvores. Não é nada de especial, é só uma ida ao jardim... Mas porque raio a outra pessoa insite em contrariar-vos? Também não é nada de especial... Começa a doer, começa-se a sentir-se ignorad@, pouco importante, irrelevante. De facto, permanecer neste estado é muito melhor...
Onde se vê alarme, catástrofe, miséria e o fim dos tempos protagonizado por zombies edunistas. Eu tendo a ser do contra. Não só não vejo desgraça, como vejo esperança. Vejo esperança por ver as pessoas a procurarem ser felizes, por as ver a fazer algo por si, por as ver a decidir que o seu amor é seu, e só é partilhado quando lhes apetecer. Vejo as emoções serem postas à frente de regras e normas, tabus e parvoíce.
Adoro o discurso do no meu tempo é que era. (Sim já tenho idade suficiente para o ter proferido, espero ser apenas um sinal esporádico de senilidade precoce :), algo como uma ligeira diarreia mental que passa no próprio dia.) Como podemos comparar a situação actual, com uma altura em que o divórcio era ilegal? As pessoas não iam presas por isso, mas não era simplesmente possivel. Logo só alguém com um desarranjo mesmo muito profundo pode tentar comparar uma coisa com a outra. É o mesmo que querer fazer um paralelo entre alguém saltar dum 10º andar e voos até Marte.
As pessoas separam-se por serem ignoradas, desprezadas, tratadas mal (muito diferente de abusos e violências, não me parece justificavel estar com argumentos extremos desnecessários), verem-se negadas (a ideia de sentirem que as suas vontades, desejos e anseios são relegadas para segundo plano, de uma forma concistente). De facto o casamento pode parecer uma coisa não tão interessante se vista deste prisma. Temos duas pessoas (infelizmente só a monogamia hetero é vista como casório) com vontades, pensamentos, ideologias, modo de vida e sentimentos diferentes. Imaginem que querem ir dar uma volta no parque mais próximo e a vossa cara metade não quer. Chato? Se calhar nem por isso, arranjam outro plano. No dia a seguir acontece o mesmo... Na semana seguinte e na outra. Se calhar já começa a importar... Se calhar já dá direito à discussão. Não que o jardim tenha algo de especial, apenas vos apetece apanhar ar, ver árvores, sentir a relva, ver cães aos pulos. Imaginem que até ganham. Agora isto repete-se. Por eventualmente serem fãs do ar livre e das árvores. Não é nada de especial, é só uma ida ao jardim... Mas porque raio a outra pessoa insite em contrariar-vos? Também não é nada de especial... Começa a doer, começa-se a sentir-se ignorad@, pouco importante, irrelevante. De facto, permanecer neste estado é muito melhor...
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